COVID 19

Reverendo chora em CPI e se diz arrependido de negociar vacinas

Em meio a um depoimento cercado de contradições, o reverendo Amilton Gomes de Paula, apontado como intermediador das negociações de vacinas entre o governo federal e a Davati Medical Supply, chorou e pediu desculpas aos brasileiros pela atuação na pandemia durante a sabatina na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, nesta terça-feira (3/8).

“Eu creio que o maior erro que fiz foi abrir as portas da minha casa aqui em Brasília. Eu abri a porta da minha casa num momento em que eu estava enfrentando a perda de um ente querido da minha família. E eu queria vacina para o Brasil”, justificou o reverendo, com a voz embargada e contendo o choro.

O presidente da Secretária Nacional de Assuntos Humanitários (Senah) admitiu ter culpa e, por isso, se desculpou perante aos senadores e ao Brasil. “O que eu cometi não agradou, primeiramente, aos olhos de Deus”, completou o religioso. Em meio à fala, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), chegou a afirmar que Amilton cometeu crime de perjúrio e, em outro momento, questionou ao pastor qual seria o arrependimento específico. “De de ter estado nessa operação das vacinas”, respondeu o depoente.https://d-1934796102314252157.ampproject.net/2107240354000/frame.html

O reverendo afirmou que foi usado ‘de maneira ardilosa’ e que a assessoria jurídica chegou a fazer um alerta sobre a credibilidade do policial militar Luiz Paulo Dominghetti, vendedor autônomo pela Davati e com quem Amilton mantinha a maior parte das conversas. “Ele [o advogado] pediu para ter cuidado com as credenciais de Dominghetti, mas pela sensibilidade que o Brasil estava vivendo, demos andamento na questão da vacina”, justificou.

Mesmo diante do pedido de desculpas, o reverendo continuou negando a relação com o governo, bem como ter tido ajuda política para entrar no Ministério da Saúde para negociar vacinas. Disse, ainda, desconhecer e não ter se encontrado com o ex-diretor de Logística Roberto Dias, informação que diverge da mensagem resgatada do celular de Dominghetti.

Fonte: Correio Braziliense.

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