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Vereador Jairinho é indiciado pela terceira vez por tortura contra criança

O vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido Doutor Jairinho (sem partido), foi indiciado nesta terça-feira (1º) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro por tortura majorada contra uma criança. O crime teria ocorrido há seis anos, quando o menino tinha 3 anos. Este já é o terceiro indiciamento de Jairinho por torturar crianças, todas filhos de suas, então, namoradas. Além do vereador, a mãe da criança foi indiciada por omissão e ambos pelo crime de falsidade ideológica. 

Os crimes contra Jairinho vieram à tona durante a investigação da morte de Henry Borel, 5 anos, em março. O menino era filho da professora Monique Medeiros, namorada de Jairinho. Aos médicos do hospital na Barra da Tijuca, Zona Oeste, para onde ele foi levado, o casal disse que Henry havia caído da cama, mas o laudo do IML apontou lesões graves no corpo da criança e incompatíveis com a queda de uma cama. Os peritos concluíram que houve agressões contra o menino, provocando hemorragia interna e laceração hepática. Ao todo, 12 pessoas foram ouvidas como testemunhas, incluindo as três médicas pediatras que o atenderam Henry. Elas afirmaram que o menino já chegou morto à unidade. 

Nesse período, chegou ao conhecido da Polícia Civil, casos de agressões contra outras crianças e que também teriam sido cometidas por Jairinho. Essa investigação foi conduzida pelo delegado Adriano França, titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), que concluiu no inquérito finalizando nesta terça não haver dúvida sobre o crime cometido pelo vereador contra uma criança de 3 anos, filho de uma ex-namorada de Jairinho. O delegado reuniu provas técnicas, por meio de exame indireto realizado através de boletim de atendimento médico, documentos e depoimentos de testemunhas, entre eles a própria criança e sua irmã. 

“A criança foi torturada com sufocamento com saco na cabeça, pisões no abdômen e, até mesmo uma grave fratura de fêmur, ocasião em que a criança com medo vomitou no carro na tentativa de fugir de seu algoz, descendo de um veículo tipo SUV acabando por sofrer a lesão grave, ficando imobilizado com gesso por cerca de dois meses”, descreveu o delegado no relatório policial. 

No inquérito também constam relatos médicos sobre os ferimentos do menino: hematomas nas bochechas e assaduras nos glúteos, comprovando que além da fratura, ele teria sofrido  outras agressões no dia em que quebrou o fêmur. Na ocasião, no hospital, tanto Jairinho como a mãe da criança alegaram que os ferimentos teriam sido em decorrência de um acidente automobilístico. Por este fato, ambos foram indiciados por falsidade ideológica, pois inseriram “informação falsa em documentos públicos”. 

Contra a mãe da criança, além da omissão diante das agressões, pesaria, segundo os investigadores, o fato de mesmo sabendo da violência praticada contra o filho, ainda assim teria continuado o relacionamento com o vereador até o final do ano passado. “Caso estes fatos ocorridos fossem comunicados à época pela própria mãe ou equipe médica às autoridades, certamente a morte e o sofrimento físico e psicológico de outras vítimas poderiam ter sido evitados”, afirma o delegado.  

A polícia não descarta mais casos de agressões contra outras crianças. Segundo o delegado, outros dois inquéritos estão em andamento e apuram supostas agressões contra duas ex-namoradas do vereador.

Jairo e Monique estão presos desde o dia 8 de abril e foram denunciados pelo Ministério Púbico pela morte de Henry. Procurada, a defesa de Jairinho disse que tomou conhecimento do indiciamento ainda nesta manhã, e que vai “colher todos os documentos relativos a este procedimento”.

Fonte: CNN Brasil.

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